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20/04/2010

A opinião de Cacá Bizzocchi*

Uma vitória (ufa!) para o voleibol.

SANTO ANDRÉ / SP (LCS) - Confesso que fiquei feliz com a vitória do Sollys / Osasco anteontem (18). O título da Superliga conquistado depois de quatro tentativas seguidas frustradas contra o mesmo adversário na apoteótica finalíssima no Ginásio do Ibirapuera resgatou a disputa, força motriz de qualquer modalidade. O monopólio não interessa a um mercado dinâmico e, para o bem do voleibol brasileiro, não seria interessante mais um triunfo da Unilever.

Minha simpatia e reverência ao trabalho de Bernardo Rezende sempre me levaram a pender para o seu lado nas disputas anteriores. Sempre tive uma tendência a torcer a favor de Federer, Schumacher, Bubka, Carl Lewis e outros esportistas que obrigam (ou obrigaram) os adversários a elevarem o nível de sua competência para superá-los. A supremacia leva obrigatoriamente os demais a chegarem ao patamar alcançado pelos grandes e contumazes campeões. A invencibilidade desafia e faz o esporte evoluir.

No cenário voleibolístico nacional, no entanto, essa sequência de títulos das cariocas e consequentes insucessos das paulistas estavam levando mais ao enfado do que à evolução. Jogadoras talentosas que defendem a seleção brasileira começavam a ser estigmatizadas e não é bom criar um depósito de memórias negativas numa carreira esportiva. Os campeões se fortalecem com derrotas, mas se fazem com vitórias. É preciso ter a certeza de que é possível chegar, não ficar apenas no discurso de que “é nas derrotas que se aprende”. A lição de uma derrota só se torna real se aplicada nas situações subsequentes, caso contrário, o aprendizado não aconteceu. Neste caso, é bom lembrar que quase acabou (com o fim do patrocínio do Finasa) antes que a lição fosse aprendida.

O Sollys / Osasco tinha um elenco mais forte, não se pode negar. Individualmente, a soma das partes era superior. Faltava, entretanto, fazer com esta soma extrapolasse seu valor, transformando o conjunto paulista mais competitivo que o outro, algo que não houvera sido conseguido nas disputas anteriores. Houve temporadas em que o Rio de Janeiro tinha nomes mais fortes, mas creio que desde o ano passado, quando conseguiu minar as forças do adversário contratando duas pilastras de sustentação dos oponentes - Thaísa e Sassá -, Osasco já poderia ter sido campeão. Não o foi porque Bernardinho, sua competente comissão técnica e suas atletas espetaculares conseguiram superar as ausências com a força do grupo.

Pelas fortes mãos da valente Natália, o título finalmente mudou de lado. Algumas jogadoras reencontraram seu melhor voleibol, como foi o caso da habilidosa Sassá (talvez uma das mais técnicas jogadoras do país), e isso foi fundamental. Outras mostraram as garras e demonstraram que em hora de decisão, a onça é que bebe água primeiro. E essa onça atende pelo nome de Jaqueline. De volta ao Brasil, Jaque jogou para ser campeã, e conseguiu.

Acredito que nem mesmo os vice-campeões ficaram muito tristes com a derrota. Todos sabem o quanto foi importante repartir o bolo, ao menos uma vez, com os demais. Não há máquina que gire com uma só engrenagem. E o vôlei brasileiro chegou ao ponto do entendimento dessa dinâmica.

O mercado, comandado pelos departamentos de marketing das empresas patrocinadoras, apesar da sede por resultados, é que precisa entender que o tempo continua comandando a história. Invariavelmente, chega o dia em que as onças se revezam à beira do lago, e passam a se re-respeitar mutuamente e por todos. Uma festa que bem poderá ter Blaüsiegel / São Caetano, Pinheiros / Mackenzie ou outras “marcas” que possam contar com o tempo para dividir o líquido.
 
*Cacá Bizzocchi é técnico de vôlei, professor de Educação Física, jornalista, comentarista da BandSports e da Band, e colaborador da Photo&Grafia Comunicação ( bizzocchi@photoegrafia .com.br )

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